SEJAM BEM VINDOS!!!

Aqui compartilho: textos poéticos e reflexões de autores, famosos ou pouco conhecidos, vídeos, músicas, fotos, pensamentos fragmentados (meus e de outros), além de outras preciosidades e presentes recebidos de Anjos queridos.

Sou ética e sempre procuro o autor do texto; caso você encontre algum texto sem autoria ou com a mesma equivocada, avise-me por favor, pois recebi desse modo e não consegui descobrir o autor(a), bem como, autoria enganosa. Um fraterno abraço, Paz & Luz!

27 de março de 2022

Fabrício Carpinejar

 


"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar."


(trecho de Pais e filhos maridos e esposas II)

Fabrício Carpinejar


26 de março de 2022

Quando há amor - Pedro Bial

 



"Quando há amor, há compreensão, vontade de estar perto, ligações no meio da madrugada, sorrisos com piadas bobas, ciumes fingidos só para fazer dramas mexicanos.
Quando há amor, ninguém fica cego, mas consegue aceitar e lidar com os defeitos e manias, ao ponto de ate chegar a achar graça um dia.
Amar, vai além de querer o outro só para si, amar é saber dividir, confiar e além de tudo respeitar, a opinião, a escolha e ate mudar seus planos para satisfazer quem ama, mesmo que o mesmo não faça por onde, não haja da mesma forma.
Ser amado é bom, mas amar é melhor ainda. Por isso,
apenas ame, sem querer nada em troca."

Pedro Bial

22 de março de 2022

Crônica: Fala, Amendoeira



 Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza – essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista deparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre céu e chão – névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e, ao entardecer, cada dia, garotos procuram subir-lhe pelo tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes de cãezinhos transeuntes.
Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom – cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam seu esforço, e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio, se não as colhe algum moleque apreciador de seu azedinho. É como se o cronista, lhe perguntasse – Fala, amendoeira – por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares,
 
a árvore pareceu explicar-lhe:

— Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio do outono. Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

— E vais outoneando sozinha?
— Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.
— Somos todos assim.
— Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.
— Não me entristeças.
— Não, querido, sou tua árvore-de-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te outonize com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves…

Outoniza-se com dignidade, meu velho..”


 Carlos Drummond de Andrade


19 de março de 2022



 Serenata

   
 Cecília Meireles


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

18 de março de 2022

Nostalgia

 

imagem do Google

Nostalgia – s.f. – melancolia profunda causada pelo afastamento da terra natal; saudade de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado (Dicionário Houaiss).

 
Não sou filósofa, nem sequer estudiosa, sou só curiosa mas sou platônica e portanto sou nostálgica.
Tenho saudade de Deus.
 
Existe uma ideia apaziguadora, talvez romântica, talvez mística que me explica anseios, intuições e empirismos: nos recordamos de Deus, por isso,  naturalmente, nos voltamos para o Belo e Bem, num impulso atávico.
Queremos voltar para de onde saímos. 
Para Platão, a alma imortal em sua vida pré terrena contemplou Deus, portanto ficou nela uma reminiscência,
um conhecimento daquilo que existe desde sempre, uma afinidade originária.
 
Lembramos de Deus, sem saber, sem conhecer.
Lembramos de Deus porque de alguma forma estamos impregnados dele.
Não quero dar uma conotação religiosa pois o Deus do qual lembramos não mora em templos nem é filiado a religiões.
Lembramos de Deus sem rezar, sem intermediários, sem revelações.
 
Somos essencialmente bons.
Queremos a verdade.
Buscamos a harmonia.
Amamos.
Procuramos a felicidade.
Sonhamos com a imortalidade.
Vivemos em busca de um sentido maior para nossa existência talvez porque no fundo a gente se lembre de
“uma estado ou forma de existência que deixamos de ter”.
Talvez porque um dia vislumbramos Deus e conhecemos a plenitude é que nos inclinamos na direção do Bem.
É como ter um fio condutor invisível que seguimos por intuição.
É como ter uma canção cósmica que nos guia e identifica;
uma memória fluida e atemporal impressa na pele da alma que nos lembra o que não sabemos que sabemos.
 
Pode ser um pensamento infantil, que não resista às mais básicas considerações da ciência e da teologia. 
Não me importa.
 
Gosto de pensar que tem  Deus no DNA da minha alma.
Que de todas as sensações, vivências e impressões a mais importante é a lembrança inata e indelével
de tempos anteriores ao próprio Tempo.
 
Gosto de pensar que aqueles fugidios momentos de paz e felicidade absolutas que nos surpreendem gratuitamente, assim, do nada, acontecem porque por alguma fresta da percepção e da memória, nos lembramos do que sentimos quando contemplamos Deus.
Gosto da idéia de que podemos acionar ou acessar um conhecimento que temos desde sempre, como se soubéssemos,
mesmo sem saber, o que procuramos.
Gosto de confiar no amor como método.
 
Gosto de acreditar que quando me sinto inundada de serenidade e harmonia, estou reavivando uma nostalgia de plenitude.
Nascemos com sede e fome desse contentamento.
Uma espécie de saudade de casa.
 
A Paz nos é familiar, desde sempre!
(Nós já a experimentamos...num tempo embrionário.)
 
Muita paz!
 
(Hilda Lucas)

14 de março de 2022

OLHOS GENEROSOS



 OLHOS GENEROSOS

Generosos são os olhos que nos olham e realmente nos veem. Que intuem na gente a tristeza escondida, a fala que se cala, a alegria ainda não revelada, a lágrima que demora a acontecer.
Generosos são os olhos que conhecem os sinais no nosso rosto quando estamos satisfeitos. O não indeciso. O sim contrariado. Os diferentes tipos de sorriso.
Generosos são os olhos que percebem o medo e o amor estampados no nosso olhar. Que sabem quando mentimos. Quando queremos silêncio. Quando estamos cansados. Quando precisamos urgentemente de uma delicadeza.
Generosos são os olhos que nos amam.

Ana Jácomo

Translate

AMIGOS POÉTICOS