31 de outubro de 2010

DESERTOS - SANDRO TEIXEIRA

Caminhar pelo Deserto de nós mesmos é jornada
quase sempre marcante e cheia de perigos.

Cada ser humano deve passar por isso algum dia, 
pois se não fazemos isso, não conseguimos crescer 
o suficiente para entendermos os mistérios da Vida.

Nesta caminhada, é preciso coragem para admitir 
que algumas trilhas que escolhemos, 
por algum motivo, não levam a lugar nenhum.

É quando andamos em círculos... 
atados a velhas idéias, 
que nos impedem o progresso.

Também precisamos de Paciência 
para encontrarmosas pequenas 
reservas de Água que ficam ocultas
no interior de plantas espinhosas, 
sem as quais morreríamos de sede.

Entender que por vezes é na Feiúra
e nos Espinhosque está a 
nossa salvação do dia.

Aprender a observar e entender o
que está ao nosso redor, 
sendo pouco a pouco capaz de prever
os movimentos da Natureza
e antecipar a tomada de decisões
é quase tão necessário quanto respirar...
pois as Tempestades sempre
avisam de sua chegada com antecedência, 
e só os viajantes atentos 
conseguem decifrar os seus Sinais.

Os desatentos sofrem... 
e não raro obrigam as pessoas
de sua caravana a sofrerem também.

Assim, também se aprende que aquilo 
que não nos mata,
nos deixa mais fortes e sábios.
A Cautela quase sempre é filha 
de uma Dor que ensinou.

A jornada termina quando o Deserto
já não incomoda mais...
quando aceitamos a Vida e seus Obstáculos 
sem perdermos tempo com reclamações.

Quando nos adaptamos ao Calor
dos dias e ao Frio das noites.

Quando a Felicidade é apenas 
a sombra generosa de uma grande Duna
em uma tarde quente, ou uma pequena poça d´ água insalubre, empoeirada e vermelha para espalhar no rosto a sensação de limpeza.

Quando se chega a esse ponto, mesmo antes de terminarmos a travessia por completo, já não estamos em Deserto algum. Está feito.

Então a Vida nos sorri com suas
gloriosas Coincidências e numa manhã
como outra qualquer, ao subirmos uma duna,
avistamos nosso Oásis:
seja ele um vilarejo, um acampamento, 
ou mesmo uma outra caravana 
que marcou um encontro conosco nas estrelas...
não importa; pois estará assim sinalizado
que as lições quentes das areias
já foram assimiladas.

Peçamos Forças, Sabedoria e Paciência.

Possamos caminhar nossos Desertos em Paz, 
desejando o Amor que existe no meio do Caminho,
para alcançarmos o Oásis de nós mesmos, 
no fim da trilha oculta que existe em cada um de nós.

Desertos,
22 de Junho de 2010.

Por Sandro Teixeira.

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