“Não sei se em algum momento cheguei
a ver você completamente como Outra
Pessoa,
ou, o tempo todo, como Uma
Possibilidade
de Resolver Minha Carência.
Estou tentando ser honesto e limpo.
Uma Possibilidade que eu
precisava devorar ou destruir.
Porque até hoje não consegui
conquistar essa disciplina,
essa macrobiótica dos sentimentos,
essa frugalidade das emoções.
Fico tomado de paixão.
Há tempos não ficava.
E toda essa peste, meu amigo.
O que tem me mantido vivo hoje é a
ilusão
ou a esperança dessa coisa,
“esse lugar confuso”, o Amor um dia.
E de repente te proíbem isso.
Eu tenho me sentido muito mal
vendo minha capacidade de amar sendo
destroçada,
proibida, impedida […]
Nem vivi nada ainda.
E não sou, sequer promíscuo.
Dum romantismo não pós,
mas pré todas as coisas –
um romantismo que exige sexualidade
e amor juntos.
Nunca consegui.
Uns vislumbres, visões do esplendor.
Me pergunto se até a morte - será?
Será amor essa carência e essa
procura de amor,
nunca encontrar a coisa?”
CAIO FERNANDO ABREU

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Obrigada por participar. Luz &Paz!!!
Beijos fraternos!!